quarta-feira, 30 de março de 2011


"Periclitam os grilos"
Periclitam os grilos:
a noite é nada.
Quem tem filhos tem cadilhos.
(Que quadra tão bem rimada!)
Não espere, leitor, que eu diga:
«Debaixo daquela arcada...»
Não venho fazer intriga:
versejo só - e mais nada.
Assim o terceiro verso
desta tirada
(reparou que é um provérbio?)
não significa nada.
Se a noite é nada e os grilos
não estão de asa parada,
não vou puxar, só por isso,
o fio à sua meada,
leitor que me pede a história
que já trás engatilhada,
leitor que não se habitua
a que não aconteça nada
em poesia que comece
como esta foi começada
e acabe como esta
vai ser agora acabada...

                                                                        ALEXANDRE O'NEILL (foto tirada por Lena Almeida)

5 comentários:

Jelicopedres disse...

E as flores, lindas!
Reconheço as malvas, as outras igualmente belas, não sei o nome, Letucha.
A poesia de O'neil, também não conhecia.
Obrigada pela divulgação e não fiques por aí, tens "tesouros para repartir"...

Beijinho*

Letucha disse...

São bocas de lobo "Antirrhinum majus", também designadas bocas-de-leão!
Tenho em várias cores a ver se dão este ano.
Beijinhos:)

isabel disse...

Poema que dá para pensar.
Quanto às flores são bonitas sim, e eu tenho o prazer de vê-las ao vivo e a cores!

Go on my child! God bless You :D

Letucha disse...

Thank you sister!
God bless you to:)

Carolina disse...

Que interessante o poema.
Não conhecia!
E o que é feito da Menina???
Tenho saudades de vocês. Temos que combinar encontros "bibliotecados"!
baci baci
;)